quinta-feira, 25 de junho de 2015

Mercado em crise. Decifra-me ou devoro-te ...


Na mitologia grega, a Esfinge era um demônio causador de destruição e má sorte, de acordo com Hesíodo a Esfinge era uma filha da Quimera e de Ortros.  Ela era representada como uma mulher com as patas, as  garras e corpo de um leão, uma cauda de serpente e asas de águia.

Em Édipo Rei de Sófocles, a Esfinge  guardava uma passagem e questionava a todos os passantes com um quebra cabeça, o mais famoso da história, conhecido como o enigma da Esfinge:



Decifra-me ou devoro-te.

Que criatura pela manhã tem quatro pés, ao meio-dia tem dois, e à tarde tem três?

Aos incautos viajantes que não soubessem a resposta o triste fim vinha através do estrangulamento. Daí o nome Esfinge, que vem do grego sphingo, que significa estrangular.

A Esfinge e o Mercado

Em tempos de bonança,  há crédito farto e com isto o crescimento económico e o PIB alcançam níveis asiáticos, então nestes tempos, o Mercado não cobra dos empresários e de seus negócios pequenos deslizes de preço, algumas faltas de atenção com o consumidor, um certo menosprezo  pelos concorrentes, erros na escolha de um ponto de venda, uma vitrine mal feita, a falta de treinamento dos funcionários, afinal, em tempos de bonança, há mercado para todos, há gordura nas margens de lucro e estes pequenos erros são relegados por consumidores endinheirados,  ávidos por comprar e pouco dispostos a questionar a qualidade do produto  e até mesmo o porquê de comprar seu produto e não o do concorrente.

Mas em tempos de crise, o Mercado se comporta exatamente como uma Esfinge, não dando alternativa aos empresários que não souberem decifrar o enigma proposto.

O Mercado age elevando os custos e reduzindo as vendas,  estrangulando as margens de lucro do negócio de empresários incautos que não conhecem seu produto, desconhecem como agem seus concorrentes e pouco sabem de seus consumidores.

A resposta parece ser simples, baixam-se os custos (normalmente fazem isto cortando cargos)  e promovem-se as vendas (normalmente fazem isto baixando preços).

Em todos os dois casos é preciso decidir com clareza, sem envolvimentos pessoais, para tomar as decisões certas.  Contar com alguém que possa ajudar a decifrar as demandas do Mercado pode ser de grande ajuda,  pois há diversas formas de reduzir custos sem necessariamente demitir gente treinada e que conhece o produto e sua empresa ( podemos começar pensando em frota, telefonia, materiais, processos, compras...) e há também diversas formas de promover um produto ou serviço sem ter que mexer no preço. 
  
Mas para um consumidor inseguro, com medo de perder o emprego nos próximos meses, vendo o cabo de força entre o executivo e o legislativo, onde um faz para consertar a economia e o outro desfaz, simplesmente dar desconto não o estimula a se arriscar em uma compra de maior vulto.  

Para este consumidor preço não é resposta e suas compras se limitarão ao estritamente necessário para sobreviver.  Todo o consumo considerado supérfluo cessa e as forças são guardadas para uma possível emergência que necessariamente pode não vir.

É preciso mais do que simplesmente promover as já desgastadas liquidações, feirões e queimas de estoque, onde os preços são rebaixados e as margens de lucro estranguladas levando a um novo ciclo de redução de custos e novas promoções de preço, até que não haja mais de onde tirar lucro e nem quem atenda ao consumidor.


Dar desconto é fácil e rápido, mas recuperar o nível correto de preço de um produto pode levar muitos anos. Portanto é preciso resistir à tentação de queimar o preço dos produtos. Pense bem antes de promover seus produtos rebaixando os preços pois a ladeira para recuperar as margens de lucro perdidas é muito íngreme.

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